Da Benfeita para o mundo, a paz voltou a soar
Há um dia do ano na Benfeita, que jamais será esquecido pela população. O dia 7 de maio de 1945, dia da rendição do que restava do exército alemão, às tropas russas e que ali ditou o fim do conflito que a Europa atravessava. A Benfeita soube primeiro e celebrou calorosamente a paz anunciada, repicando o sino da então, Torre de Salazar, 1620 vezes.
Segundo reza a história que nestas comemorações se imortaliza, uma badalada por cada dia em que a guerra se sobrepôs à paz entre os povos, ou pelo menos, tantas quantos os dias que a memória local decidiu guardar da guerra. As novas vieram por telefone quando, um funcionário de uma empresa inglesa e marido de uma habitante da aldeia, soube da assinatura do armistício. A notícia rapidamente se espalhou através do sino da torre, que ecoou por montes e vales anunciando o fim da guerra, um gesto e tradição que ainda hoje se mantêm.
A Torre, protagonista eterna desta efeméride, receberia depois o nome oficial de Torre da Paz, tornando-se símbolo incontornável desta Aldeia do Xisto.
Nunca em 81 anos esta celebração fez tanto sentido como atualmente. Nunca, volvidas mais de oito décadas, foi tão apaziguador voltar a ouvir o sino da paz. Nunca ela foi tão urgente e nunca foi tão importante, desta pequena aldeia para o mundo, fazer soar a paz.
Ancorado na ligação da comunidade da aldeia e a sua história, a segunda edição da Festa da Paz fez-se entre os dias 7 e 10 de maio. “Celebrar a paz não é apenas recordar o passado, é assumir um compromisso com o presente e com o futuro”, sublinhou Luís Paulo Costa, Presidente da Câmara Municipal de Arganil na sessão que abriu o mote para três dias de celebração e que contou ainda com os contributos do Presidente da Assembleia Municipal António Cardoso; do Brigadeiro-General Pedro Miguel Vale Cruz, em representação do Chefe de Estado Maior do Exército; Jorge Custódio, Presidente da ADXTUR e Cristina Oliveira, Vice-presidente da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Centro.
Ao longo de três dias de festa, cruzou-se memória, cultura e participação local, através de um programa transversal com diferentes formatos: a apresentação da candidatura da Torre da Paz a Monumento de Interesse Municipal, uma exposição dedicada à memória dos regimes totalitários, um percurso pela bonita aldeia de Benfeita com momentos de poesia, uma oficina criativa de pombas de papel, um concerto pelo Coral 7 de Setembro e outro pelo Trio Prestige que privilegiou a imponente voz de Carla Bernardino e, iniciativas comunitárias e coletivas, como o almoço convívio do último dia de programação e a atividade “1620 fios de paz” que consistia em deixar mensagens em fitas coloridas na ponte na zona ribeirinha da aldeia.
De entre as atividades, foi ainda apresentado o livro “Turismo Literário” que para além da presença da coautora Maria Mota Almeida, contou depois, em mesa redonda, com Filomena Amaral, fundadora do Festival Literário Internacional do Interior; Fernanda Maria Dias Presidente da Direção da Confraria do Bucho de Arganil; Tamára Simão, Bookstagrammer e Cléo Dias, escritora natural da Benfeita, numa moderação feita por Paula Dinis, Vice-Presidente da Câmara Municipal.
Mais de 80 anos depois, as badaladas continuam assim a marcar a vida da aldeia não só como lembrança daquele dia feliz de 1945, mas também como parte da sua identidade e cultura. Ecoam na serra e no tempo, como símbolo de esperança, união e pertença, fazendo saber que algumas tradições, tais como o sino da Benfeita, nunca vão deixar de soar.
A Festa da Paz 2026 foi um evento organizado pelo Município de Arganil em parceria com a Junta de Freguesia de Benfeita, com apoio da ADXTUR – Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto e do Turismo de Portugal.























































































