COMUNICADO | Resposta ao Partido Socialista sobre a demolição da chaminé
Perante as declarações do Partido Socialista sobre a demolição da chaminé da antiga fábrica de resina, que o Município de Arganil considera pouco rigorosas, politicamente oportunistas e desconectadas da realidade técnica que sustenta esta decisão
Numa demonstração pública de má-fé ou ignorância, o partido socialista fez publicar declarações relacionadas com a decisão de demolição da chaminé localizada no terreno onde se encontra em curso a construção do novo Serviço de Urgência Básico e Centro de Saúde de Arganil.
A Câmara Municipal considera tais declarações pouco rigorosas, politicamente oportunistas e desconectadas da realidade técnica que sustenta esta decisão.
A preservação do património arquitetónico e da memória coletiva do concelho é uma preocupação permanente deste executivo e dos anteriores executivos do PSD. Prova disso é o facto de o Município ter manifestado, desde o primeiro momento, a intenção de manter a chaminé. É o próprio projetista que o refere no projeto de execução submetido a concurso nos seguintes termos: «Foi, ao mesmo tempo, uma orientação do município integrar a chaminé industrial no conjunto, o que é conseguido na proposta».
Importa ainda sublinhar a incoerência do partido socialista, que hoje se apresenta como defensor da memória industrial, mas que, no passado recente, se opôs à reconstrução de um dos mais relevantes símbolos do património industrial de Arganil — a Antiga Cerâmica Arganilense. Esta contradição fragiliza o discurso agora assumido e revela uma abordagem seletiva e circunstancial ao património.
O partido socialista teve pleno conhecimento de todo o processo, participou nas discussões havidas ao longo do último ano e teve acesso à informação técnica disponível. As declarações agora proferidas não visam esclarecer os munícipes, mas antes lançar dúvidas infundadas, tentando fazer crer que esta foi uma decisão tomada de ânimo leve, o que é manifestamente falso.
Face às informações intencionalmente distorcidas, importa esclarecer:
1. Aquando da elaboração do projeto do novo SUB e Centro de Saúde de Arganil e considerando a inexistência de projeto ou estudos relacionados com a estabilidade da chaminé, o projetista entendeu incluir no mapa de trabalhos da empreitada, a mandar executar pelo empreiteiro, um conjunto de ensaios e estudos relativos à estabilidade da chaminé industrial;
2. O empreiteiro contratou, para realização desses ensaios, o ITeCons – Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade. O Itecons é uma instituição de utilidade pública de
reconhecido mérito técnico e científico, vinculada à Universidade de Coimbra;
3. As conclusões dos ensaios realizados pelo Itecons, desenvolvidos de acordo com
as normativas nacionais e europeias em vigor são compreensíveis para qualquer cidadão comum. Passamos a citar:
Em termos estruturais foram efetuadas análises tendo em conta as ações gravíticas, a ação do vento e a ação do sismo, nas suas respetivas combinações de ações. Para a ação do sismo, considerou-se oportuno efetuar 2 cálculos distintos, um mais geral no qual a chaminé é classificada com ‘Classe de Importância’ II e outra, mais restrita, com ‘Classe de Importância’ IV devido ao facto de se encontrar inserida no complexo de um Centro de Saúde, um edifício relevante para a proteção civil.
Verificou-se que as tensões de tração são excedidas em todas as análises, pelo que se considera que a chaminé não se encontra em segurança, tendo em conta a regulamentação em vigor e os parâmetros assumidos nos cálculos que se apresentam neste relatório.
Particularmente, no caso de se considerar que a chaminé deve ter uma Classe de Importância IV, as tensões, tanto de tração como de compressão, são largamente excedidas e o colapso da chaminé inevitável caso ocorra um sismo desta magnitude.
4. Posto isto, cumprir a legislação aplicável, acautelar a segurança de pessoas e bens e pautar pela responsabilidade implica demolir a chaminé da antiga fábrica da resina;
5. Governar implica tomar decisões difíceis! Algumas vezes contrárias aquelas que são os nossos desejos! Mas é também inequívoco que quem não tem capacidade para tomar as decisões difíceis, que às vezes se impõem, também não tem
capacidade para Governar!
6. De resto, não deixa de ser sintomático que um argumento invocado pelo líder da bancada do partido socialista, numa reunião de Câmara de dezembro de 2025, tenha sido o de que ela não tinha caído com o sismo que tinha ocorrido pouco
tempo antes;
7. Relativamente aos valores financeiros invocados pelo partido socialista, o argumentário socialista é manifestamente constrangedor;
8. Como se depreende do projeto e qualquer cidadão comum compreende, os trabalhos na chaminé só seriam executados se os ensaios demonstrassem que a chaminé cumpria os requisitos de estabilidade e segurança regulamentares; coisa que não se veio a verificar;
9. De resto, os tais trabalhos de “reabilitação da estrutura” a que se refere o partido socialista resumiam-se, afinal, à aplicação de verniz para tijolo e aplicação de primário, à Limpeza da base da chaminé e formação de reboco e aplicação
manual de duas demãos de tinta plástica, com aplicação prévia de uma demão de primário, na base da chaminé;
10. Parece que o partido socialista entende que estes trabalhos, de pinturas e envernizamento, permitiriam resolver os problemas de estabilidade da chaminé. Ficamos esclarecidos!
11. Todavia, como está tecnicamente bem demonstrado, a manutenção da chaminé existente não é uma solução viável, exclusivamente por razões de segurança estrutural, independentemente de quaisquer intervenções de reparação que pudessem ser equacionadas.
12. Esta matéria foi amplamente discutida em reuniões de Câmara ao longo do último ano, encontrando-se devidamente registada em atas e documentação oficial. Importa ainda referir que um dos atuais vereadores do partido socialista acompanhou todo este processo desde o início, não tendo nunca manifestado qualquer discordância com a solução de demolição por razões de segurança, o que torna difícil compreender a narrativa agora apresentada.
13. Perante a obrigatoriedade de demolição da chaminé — reiterando-se: por razões de segurança de pessoas e bens, num espaço destinado a um equipamento de saúde — subsistem duas opções: construir uma réplica da chaminé existente, ou construir/instalar outra solução diferente que resulte de participação pública;
14. Foi neste enquadramento que o Município decidiu submeter à apreciação da Câmara a demolição da chaminé e, no caso da segunda opção acima referida, a promoção de um concurso de ideias, desafiando arquitetos a apresentar propostas para um novo elemento arquitetónico que marque o espaço e substitua simbolicamente a antiga chaminé, conciliando memória, contemporaneidade e qualidade urbana.
15. Nunca foi, nem será, objetivo deste executivo destruir o património arquitetónico do concelho. O que não fará é ignorar pareceres técnicos ou colocar em risco a segurança de pessoas e bens para satisfazer discursos demagógicos, irresponsáveis e politiqueiramente convenientes.
O Município de Arganil continuará a agir com responsabilidade, rigor técnico e respeito pela memória coletiva, colocando sempre o interesse público acima de qualquer outro, sem se deixar condicionar por comunicados alarmistas ou estratégias de aproveitamento polítiqueiro!








