Piódão celebrou a Estrada Real em fim-de-semana de festa

O fim-de-semana de 21 e 22 de abril foi de festa para a Aldeia Histórica de Piódão. Através de um programa que juntou música, gastronomia, animação de rua, jogos tradicionais, venda de produtos endógenos, estórias e história e uma surpreendente caminhada cultural pela Estrada Real, levámos o público a recuar no tempo e a conhecer aqueles que foram os tempos duros mas histórica e culturalmente ricos, de um Piódão de outrora.
Integrado no programa de animação das Aldeias Históricas, “12 em Rede | Aldeias em Festa”, coube ao Piódão inaugurar o ciclo de 2018, com o evento “Estrada Real: A Longa Caminhada” num formato que promove a história e o património material e imaterial mas, sobretudo, pretende proporcionar uma experiência de visita mais autêntica e profunda.
O dia 21 de abril nasceu cinzento, contrastando com o Largo Cónego Manuel Fernandes Nogueira que, pouco a pouco, se enchia de cores e convidava a entrar nos festejos. A chuva acabou por também fazer a sua visita à aldeia mas, logo partiu para dar lugar ao sol que se encantou pelo Piódão e não mais o deixou.
Entre dramatizações históricas, um mercadinho de produtos frescos e biológicos, tais como aqueles que eram trazidos da Beira Interior pela Estrada Real e, animação musical, o público teve oportunidade de se vestir de passado e recuar no tempo, não ficando indiferente àquelas que eram as caraterísticas mais marcantes desta aldeia e que ali eram recriadas.
Numa importante partilha de conhecimentos, os professores da Universidade de Coimbra Dr. Vasco Mantas, e a Dra. Conceição Lopes (natural de Piódão) que dividem uma particular paixão por caminhos antigos e estradas medievais, ladeados pelo Presidente e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Arganil, Dr. Luís Paulo Costa e Dra. Paula Dinis, respetivamente e pelo Sr. José Lopes, Presidente da Junta de Freguesia de Piódão, deram o seu contributo numa aprazível e interessante conversa. A cada palavra era aguçada a curiosidade dos presentes sobre o assunto Estrada Real, seus mitos, história e singularidade, que viria a ser algo satisfeita no dia seguinte, através daquele que foi o grande propósito que originou este evento: a Caminhada pela Estrada Real.
No enquadramento irrepreensível e imponente da Serra do Açor, perto de uma centena de caminhantes rasgavam a paisagem pintalgando aquém e além a grande mancha verde que acompanha toda aquela que foi outrora a mais importante via de comunicação entre Coimbra e Covilhã. Para que a experiência fosse intensamente vivida, foram recriados vários momentos da história que se dizem ter acontecido por aquelas bandas e que os antigos ainda recordam. “Aqui quem manda sou eu!”, ecoou na serra, vindo de um foragido do bando de João Brandão e que se cruzou com os caminhantes, vindo lá do século XIX.
E terminou assim um fim-de-semana de festa onde se celebrou a história, as tradições e toda a singularidade que faz desta aldeia um destino único no país.