Arganil assinalou o Dia Mundial do Turismo com música, arqueologia e memória
O Município de Arganil associou-se, no passado fim de semana, às comemorações do Dia Mundial do Turismo e das Jornadas Europeias do Património, através de um programa que cruzou música, património arqueológico e memória local.
As iniciativas arrancaram no dia 26 de setembro, com mais uma edição do ciclo Piano@Piódão, que levou o pianista Filipe Raposo à aldeia de Piódão. No dia seguinte, 27 de setembro, o programa prosseguiu em Arganil, com a inauguração da exposição “Arganil em Cena: Espólio de João Carlos Senna-Martinez”, patente no Núcleo Museológico de Arqueologia do Museu Municipal de Arganil.
A mostra dá a conhecer uma parte do espólio documental e arqueológico associado ao trabalho desenvolvido na Necrópole dos Moinhos de Vento, na Lomba do Canho, reunindo fotografias, relatórios, diários de campo e peças arqueológicas provenientes das campanhas realizadas em 1958 e, posteriormente, entre 1979 e 1984. Neste último período, João Carlos Senna-Martinez assumiu a coordenação dos trabalhos arqueológicos. Mais do que apresentar objetos, “Arganil em Cena” convida a conhecer o trabalho que está por trás da Arqueologia: a observação, a escavação, o registo, o estudo e a interpretação dos vestígios que permitem reconstruir diferentes momentos da ocupação do território.
Entre as peças expostas encontram-se algumas fotografias realizadas no final da década de 1950, que documentam os trabalhos arqueológicos desenvolvidos por João de Castro Nunes e permitem um olhar particularmente próximo sobre o trabalho de campo e sobre as pessoas que estiveram na origem do conhecimento arqueológico que hoje temos sobre este território.
A componente participativa da iniciativa convidou ainda os visitantes a experimentar diferentes elementos associados ao trabalho de campo arqueológico. Depois de apreciarem a representação de uma quadrícula arqueológica e de se vestirem a rigor, puderam também tirar uma fotografia, através de uma câmara lambe-lambe, recuperando uma prática fotográfica que o tempo foi deixando para trás.
A fotografia teve, aliás, um papel especial nesta viagem entre passado e presente. Se as imagens que hoje integram a exposição registaram, há décadas, o trabalho dos arqueólogos no terreno e hoje ajudam a documentar e a interpretar esse mesmo património, durante a inauguração foram os visitantes que “entraram em campo”. Desta vez, a câmara não registou a escavação, mas aqueles que vieram conhecer a história que essas imagens ajudaram a preservar.
Se não teve oportunidade de visitar a exposição “Arganil em Cena: Espólio de João Carlos Senna-Martinez”, saiba que pode fazê-lo até ao dia 29 de janeiro, no Núcleo Museológico de Arqueologia do Museu Municipal de Arganil e descobrir de perto este importante conjunto de testemunhos da história da Arqueologia em Arganil.












































