Entre 26 e 30 de outubro, Arganil acolheu a primeira edição do Festival “Cabelos com História”, uma iniciativa que colocou o envelhecimento ativo e a valorização das histórias, no centro da comunidade, transformando a celebração do percurso de vida numa oportunidade de encontro, descoberta, reflexão e valorização de quem tem uma vida inteira de histórias para contar. Um festival que mostrou que há sempre novas experiências para viver, caminhos para descobrir e experiências para partilhar.
Promovido pelo Município de Arganil, numa parceria com o projeto CLDS 5G Ger’Ações e apoio do Município de Ílhavo e da Rádio Clube de Arganil, o festival nasceu com o especial propósito de reconhecer o papel das pessoas mais velhas na comunidade, combater o isolamento social e demonstrar que envelhecer pode e deve ser sinónimo de participação, autonomia, bem-estar e novas oportunidades.
O programa percorreu diferentes dimensões da vida, cruzando atividade física, expressão artística, cultura, saúde emocional, autoestima e convívio intergeracional. Uma diversidade de experiências que permitiu olhar para o envelhecimento de uma forma inclusiva e profundamente humana.
A música e o movimento deram o mote à abertura, com uma sessão de Biodanza, que convidou os participantes a expressar emoções e afetos através da dança. A criatividade ganhou depois expressão numa oficina de cianotipia em tecido, numa experiência artística que estimulou a imaginação, despertou memórias e promoveu o bem-estar através da arte e também através de numa aula aberta de pintura, dinamizada pelo professor da Academia Sénior, Paulo Santos.
Um dos momentos de maior profundidade, foi dedicado ao tema do luto, através do workshop “O luto é a coisa com penas”, dirigido a colaboradores e dirigentes de IPSS e Misericórdias. A reflexão prolongou-se com a apresentação teatral “Tal como foi o Silêncio [de luto e de luzes]”, trazendo para cima da mesa uma temática tantas vezes difícil de abordar, mas essencial à compreensão das emoções e dos processos de perda.
Também o envelhecimento com sentido e propósito, esteve em destaque, através da conversa “Ainda há muito para viver – Caminhos para envelhecer com sentido”, conduzida por Bruno Soares, Gerontólogo do Município de Ílhavo. Um momento que reforçou sobretudo a importância de olhar para esta etapa da vida como uma fase que continua a oferecer possibilidades de crescimento, participação e realização pessoal
Na dimensão da atividade e bem-estar físico, o programa proporcionou momentos de grande convívio. A caminhada noturna “Gerações a caminhar” juntou não só várias gerações, num ambiente familiar de cumplicidade, mas também de solidariedade. “Todos os passos contaram” nesta caminhada, para dar à Rede de Emergência Alimentar, através da iniciativa da Fundação Galp, uma refeição por cada quilómetro percorrido. Já dentro de água, na Piscina Municipal, foi tempo de exercitar os músculos, estimular a mobilidade e desfrutar dos benefícios da hidroginástica.
A autoestima e a valorização pessoal mereceram da mesma forma um lugar de destaque. Através da iniciativa “Espelho meu, espelho meu…”, foi possível proporcionar momentos de cuidado da imagem, cabeleireiro, maquilhagem e fotografia. Mais do que uma experiência estética, foi uma celebração da identidade, da beleza e da singularidade de cada um, independentemente da idade.
A encerrar o festival, “Amália, Fado e Saudade” entrou em cena, numa viagem pela vida e obra de uma das vozes maiores da cultura portuguesa. À tarde, numa sessão especialmente dirigida aos utentes das IPSS e Misericórdias do concelho, que se reuniram depois num convívio e lanche partilhado, animado pelos alunos de música da Academia Sénior e, à noite, aberta à comunidade em geral, num culminar que espelhou o espírito do Festival. Aproximar gerações, instituições e comunidade em torno da partilha e dos afetos. Celebrar a riqueza dos encontros e a importância de construir uma comunidade onde todas as idades têm lugar e voz, para continuar a viver novas histórias. Celebrar não apenas quem já viveu muito, mas celebrar tudo aquilo que ainda têm para viver!





































































