Presidente da Câmara apela ao Governo para travar de mini-hídrica no rio Alva

  • LPC

    LPC
  • WhatsApp Image 2020 03 16 at 20.52.17

    WhatsApp Image 2020 03 16 at 20.52.17
  • WhatsApp Image 2020 03 16 at 20.52.58

    WhatsApp Image 2020 03 16 at 20.52.58
  • WhatsApp Image 2020 03 16 at 20.53.10

    WhatsApp Image 2020 03 16 at 20.53.10

“É um projeto que não queremos no nosso concelho”. Foi desta forma que Luís Paulo Costa, presidente da Câmara Municipal de Arganil, manifestou o seu total descontentamento com o projeto que prevê a construção da Pequena Central Hidroelétrica do Vale das Botas, no rio Alva, entre Côja e Secarias, durante a conferência de imprensa realizada na passada segunda-feira, 16 de março, no Centro Empresarial e Tecnológico de Arganil.

Inconformado com a concretização desta infraestrutura, pelo forte impacto negativo que terá no território, o líder do executivo camarário apelou ao Governo para que encare o processo de construção como um problema e interceda pelos reais interesses do concelho. “É um projeto danoso para o território a todos os níveis, ambiental, ecológico, patrimonial, e a nossa pretensão é que o Governo colabore connosco e o faça parar”.

O Município de Arganil espera que sejam desencadeadas as diligências necessárias, de forma aque o Governo chegue a um entendimento com o investidor e encontre uma forma de o compensar pelo esforço financeiro que já fez, conforme aconteceu, relembrou Luís Paulo Costa, num processo análogo que envolveu o rio Mondego.

A construção da barragem prevê um paredão com mais de 13 metros e a desmatação e desarborização de quase 200 hectares de vegetação existente junto às margens. As implicações ao nível da qualidade da água e recursos hídricos, dos ecossistemas e das comunidades que os caracterizam acarretam consequências danosas para o território, nomeadamente ao nível do turismo, prejudicando todo o trabalho desenvolvido no concelho nesta área.

Considerando o investimento em causa, a solução pode passar pela aposta no regime eólico. “É possível ter outras alternativas menos penalizadoras para o território e com o mesmo nível de lucro para o investidor. Uma simples eólica, atualmente, tem capacidade para produzir o dobro daquilo que é considerado para esta mini-hídrica”.

Para o presidente da Câmara, não é, por isso, “compreensível nem sensato que se vendam os interesses de um concelho por uma bagatela”, adiantando que o valor recebido pelo Estado com a emissão da licença de construção e respetiva concessão não ultrapassa os 800 mil euros.

A luta do Município de Arganil contra o avanço do projeto no rio Alva remonta a 2010, ano em que o Governo desencadeou um processo com vista à construção de pequenas centrais hídricas no país, entre elas a mini-hídrica do Vale das Botas, assinando, então, contrato com a empresa Explikot, sediada em Viana do Castelo.

A declaração de impacto ambiental emitida na época terminou em 2017, tendo sido revalidada pela construtora até ao ano de 2021. A certeza de que o processo não estaria parado chegou com os trabalhos de prospeção geológica realizados em 2019 na zona prevista de implementação. “Ficámos apreensivos e, desde então, temos vindo a solicitar ao Governo para que trave este projeto”.

Neste protesto contra a mini-hídrica, a Câmara Municipal conta com o forte apoio da população e das autarquias de Côja e Secarias, que já em 2013 emitiram pareceres desfavoráveis à concretização do empreendimento. Na conferência de imprensa, João Tavares, presidente da União das Freguesias de Côja e Barril do Alva, censurou as implicações que a construção terá para a praia fluvial e para o fluxo turístico da vila. “Quando a barragem atingir a cota máxima, o Caneiro será afetado, comprometendo a qualidade da água da praia fluvial”.

António Souto, presidente da Junta de Secarias, reforçou o protesto, alertando para os danos que se vão registar na praia fluvial da Cascalheira, naquela freguesia, quando se efetuarem, nomeadamente, limpezas à barragem. Os esforços para travar o processo têm passado por tirar satisfações junto das entidades com responsabilidades na aprovação do projeto. “Confrontámos a Agência Portuguesa do Ambiente, relembrando a posição tomada em 2012, e a resposta foi no sentido de que não existe nada se imponha ao início da obra”.

Este apelo representa, por isso, um decisivo e imperioso “grito de alerta” dirigido ao Governo, conforme afirmou e reafirma Luís Paulo Costa: “é um projeto totalmente indesejado e prejudicial ao concelho de Arganil que tem de ser travado”.