Presidente da República visita Arganil após os incêndios que afetaram todo o concelho

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve no passado sábado, dia 21 em Arganil, no seguimento do périplo que iniciou pelas zonas fustigadas pelos incêndios do passado fim-de-semana, tendo sido recebido pelo Presidente da Câmara Municipal, Eng.º Ricardo Pereira Alves, executivo camarário, presidentes das Juntas de Freguesia e Associação de Bombeiros Voluntários de Arganil, nos Paços do Concelho.

Visivelmente comovido fez questão de cumprimentar um a um, toda a corporação que ali se encontrava, deixando uma mensagem de apreço, de reconhecimento e sobretudo de gratidão, pela árdua provação pela qual têm passado. Entre os presentes encontravam-se familiares das vítimas que perderam a vida nesta catástrofe, às quais, o Presidente da República não ficou indiferente confortando-os neste que é um momento de dor.

Já no interior do edifício, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, a sessão teria início através das palavras do Presidente da Câmara em funções, Eng.º Ricardo Pereira Alves, que começou dizendo: “Resistimos, temos o nosso concelho vestido de negro mas estamos prontos para renascer, através das instituições e sobretudo das pessoas”, fazendo referência às provações pelas quais o concelho e os seus populares passaram no passado fim-de-semana. Agradecendo aos populares que, com os parcos meios de que dispunham, defenderam tudo quanto puderam para que a catástrofe não fosse maior, Ricardo Pereira Alves disse ainda que os momentos de tristeza pelos quais o concelho passa neste momento, devem dar lugar a oportunidades de seguir em frente com os olhos no futuro.

Marcelo Rebelo de Sousa usou da palavra e, dirigindo-se aos presentes, evocou as três vítimas mortais registadas no concelho, prestando-lhes homenagem e solidarizando-se também com todos aqueles que sofreram danos materiais ou imateriais na catástrofe que assolou o concelho e o país.

Marcelo Rebelo de Sousa fez ainda referência à onda de solidariedade verificada que passa pelas instituições e que atravessa a população referindo que: “isto mostra a capacidade solidária que nós portugueses temos, uma ilimitada capacidade solidária, mas mostra também a responsabilidade enorme daqueles que mais têm, dos privilegiados, perante os que menos têm, mais sofreram e sofrem com as catástrofes”.

Referindo-se a esta catástrofe como a maior tragédia do Portugal democrático, relembrou o cataclismo acontecido na ilha da Madeira, em 2010 referindo que quer em termos de vítimas, quer de perdas, foi completamente ultrapassado pelos incêndios ocorridos em Portugal este ano, porém, em visita às populações, Marcelo Rebelo de Sousa diz não ter dúvida das capacidades de superação e recuperação dos populares e em todas viu grande vontade de renascer das cinzas e recomeçar.

Como grande missão diz ter, para além de estar junto de quem sofre e perceber no terreno aquilo que tem de ser feito, a de fazer chegar ao Portugal urbano e metropolitano, que está longe de toda esta devastação, a compreensão do que aconteceu, dos bens que se perderam, da importância da floresta para o país e de que estamos perante um desafio de coesão social, frisando que para superar este desafio devem existir pactos de regime.

Marcelo Rebelo de Sousa deixou ainda uma palavra aos autarcas do concelho, reconhecendo: “como é pesado nos seus ombros este conjunto de responsabilidades”, frisando que este é um desafio não só para os autarcas das regiões afectadas mas também para governo e para a oposição.

O Presidente da República terminou o seu discurso dizendo que é um homem de esperança e que: “foi para isso que fui eleito, para gerar esperança nos portugueses, as populações merecem um sinal de esperança para avançar para o futuro”.

A visita oficial do Presidente da República continuou na freguesia de Cerdeira, localidade extremamente fustigada pelos incêndios e, na qual, se registaram duas das três mortes associadas a esta catástrofe, no concelho, terminando com a visita ao quartel dos Bombeiros Voluntários de Coja.