Dia Mundial do Teatro comemorado em Arganil com peça que recordou soldado português do século XVI

O ator Manuel Wiborg subiu ao palco da Cerâmica Arganilense nos passados dias 26 e 27 de março, para duas sessões da peça “Ouvidor Geral” de Miguel Castro Caldas, baseada na obra “O Outro Exílio”, do escritor egípcio A. R. Azzam. Em causa estava a comemoração do Dia Mundial do Teatro, que se celebra a 27 de março.

Com cenografia de Ana Tomé, figurinos de Lucha d´Orey, música de Adriano Sérgio, sonoplastia de André Pires, luz de Cárin Geada e direção e encenação de Manuel Wiborg, “Ouvidor Geral” conta a história de um soldado português que, em 1506, partiu com Afonso de Albuquerque para a Índia, onde se converteu ao islamismo. Revoltando-se contra Afonso de Albuquerque que, para se vingar, o manda torturar e mutilar, acaba por se tornar um indigente nas ruas de Goa. No regresso a Portugal, já após a morte de Afonso de Albuquerque, acaba por fugir do barco onde viajava, escondendo-se na então deserta ilha de Santa Helena, onde viveu sozinho durante cerca de uma década. Passados os primeiros 10 anos, é descoberto pelo comandante de um navio português que, impressionado com a história do único habitante que ali encontra, a conta a comandantes de outros navios, que depois seguem a rota, para lhe deixarem víveres, sementes, cabras e galinhas, com que Fernão Lopes acaba por povoar o território, permanecendo na ilha mais dez anos. A história do renegado acaba por chegar à corte portuguesa. Fernão Lopes é trazido então para Portugal, onde foi perdoado por João III e pelo crime de apostasia pelo Papa Clemente VII, que lhe concede a realização do sonho de regressar à ilha, onde viria a morar mais 20 anos e a morrer.

Para Manuel Wiborg, a história do soldado Fernão Lopes chamou-lhe “muito à atenção”, por ser “muito peculiar” e por se tratar de uma personagem que, “no fundo, é o primeiro Robinson Crusoé da História”. Esta peça é uma produção da Associação Cultural e Artística do Teatro do Interior.